Quem é o vilão da história? (ainda sobre escolhas..)

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Em meu último texto dediquei um pensar sobre nossas escolhas. Dou continuidade…

Há decisões que exigem maiores atravessamentos para o sujeito, pois requerem considerável dedicação de seu pensar para assim superar seus entraves, uma vez que se apresenta um forte desejo, mas também oferece um elevado risco para este indivíduo, dos efeitos que podem se  suceder. Fantasias. Há sempre um medo da perda de algo, mas também um anseio sempre presente, da completude ou da satisfação. Há os que respondem às pulsões de forma impulsiva, outros declinam tempestivamente, e outros ainda, paralisam, porque se clivam. Ressalto que todas as ações listadas acima são escolhas do ego, respeitando a capacidade que ele tem de reagir diante dessa divisão, de oferecer um sim ou um não.

Uma parte do sujeito denuncia os perigos e possíveis consequências e uma outra parte aponta para o que se quer, o que se deseja, ou seja, nem sempre eles tomam chá juntos, apenas quando há a permissividade do ego. E ainda assim, quando aperta o sinal verde, atendendo aos desejos do Id, pode o sujeito experimentar a angústia da sua realização. Com isso, a perda da homeostase, com possíveis surgimento de sintomas.

Ora, se não realizo, tenho sintomas, se realizo também. Realizar o desejo sem a cumplicidade do ego sempre provocará um efeito danoso sobre o sujeito, e sua gradação varia de indivíduo para cada indivíduo.  Parece estar sempre na presença de algum vilão que a todo momento o ameaça. Sempre que um desejo conflitar com a estrutura do ego, haverá algum destempero. E todas as vezes que se negar a estes desejos, ele será fortificado e prestará maiores ofensas ao ego. É como se alimentássemos um vilão.

Mas seria esse inconsciente um vilão?  Depende. Na verdade, desacredito. O inconsciente é o produto de um conflito, que existe porque em algum momento o sujeito passou por uma experiência e não estava maduro ou não foi capaz de resolver aquela determinada situação.

Normalmente nega-se o conflito por que é doloroso  e porque não é agradável reconhecer uma parte nada admirável em si mesmo. Mas acredito que o vilão está muito mais presente na parte que procura negar essas sombras, pois prefere se apresentar de forma perfeita, aceitável e conveniente à sociedade, correspondendo ao imaginário social.

É preciso pacificar as partes. Reconhecer a sombra é uma forma de convidar o sujeito a aceitar a sua humanidade, compreender que todos temos uma parte nada bonita frente aos ideais da sociedade, e negar essa sombra é compactuar com as ilusões e idealizações praticados pelo imaginário social.  Se pacificar com a sombra é se permitir entender o que está por trás desses desejos, dos afetos e o que representa essas fantasias. É se permitir ter todas as cartas na mesa para decidir.  Enquanto reagir ou agir negando os desejos, ou corresponder aos desejos sem harmonizar-se com o ego, distonias estarão presentes …

Somos seres desejantes destinados a incompletude, e é isso que nos faz caminhar”. Jacques Lacan

Escolhas

valley-of-fire-1303617_1920A todo momento se é intimado a fazer escolhas e definir caminhos. Algumas delas são tão corriqueiras e automáticas, que não se nota a sua realização, como por exemplo definir qual será o desjejum. Outras demandam tempo para que a sua elaboração seja concluída e pedem grandes atravessamentos, principalmente quando se vê dividido pelos desejos, pelos valores quando se contrapõe, pelos riscos relacionados e consequências. Teme-se sofrer, perder, decepcionar como também, ganhar, usufruir e se alegrar com a escolha. Contradições.

Há a relação direta com o medo. Fácil é decidir quando a escolha está coerente com as idealizações. Talvez fosse necessário caminhar para a abstração delas, pois as idealizações tapam as vistas, e muitas vezes se decide pelo o que possa aparentar ser bom, mas não o que realmente se quer.

É como aquela mulher que precisa decidir pela promoção, optar por ela, corresponderia se abster parte do tempo com a família, mas também adquirir maior prestígio e oportunidade de realização profissional. É sim? Não? Aceitar? Negar? Avançar? Desistir? Pode? Não pode? Essas perguntas astutas frequentam sempre o nosso pensar.

Haveria a escolha certa? Certa em relação a quê?  Aos desejos dela? Ou aos medos?

Independentemente do que seja escolhido, eu convidaria a abandonar o conceito do “e se”, principalmente quando a manobra já foi realizada, sugeriria apelar pelos prós e contras, avaliar o contexto e talvez o mais desafiador, permitir se analisar para compreender o que realmente deseja e o que está por trás dessas fantasias.

Sobre paixão e amor

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A paixão sempre foi reconhecida como má influência para o indivíduo, desde a antiguidade, excluindo nele o domínio de si mesmo. E de certa forma esse encantamento avassalador se apodera tanto das ações quanto das reações, tornando o sujeito muitas vezes irreconhecível (ou mais reconhecível à sua realidade interna). Permitindo a ele justificar qualquer tomada de decisão prematura ou irracional ao fato de “se apaixonar”. Ela se apresenta intensa e abarrotada de fantasias. Atribui-se ao objeto que encanta a solução das questões mais profundas, ou seja, o preenchimento de algo que está vago dentro do indivíduo.

O apaixonado normalmente desconhece todo o enredo que este sujeito vive e julga existir nele um cenário que lhe é agradável, pertinente, identificando o objeto com o seu ideal de eu – a representação de seus valores incorporados – , se preenchendo daquilo. Não há problemas, não há defeitos, há uma solução daquilo que falta internamente. Ou seja, o outro é incorporado para suprir essa falta.

Já o amor se apresenta a partir do convívio, talvez seja por este motivo que se diz que o amor se ativa após a paixão. No amor se enxerga as dificuldades, a realidade do outro se expõe, os problemas se tornam conhecidos e se esbarra na necessidade da compreensão. E diferente da paixão, é possível não se preencher e amar mesmo assim.  E então passa a amar o outro e a si mesmos através do outro. Ama-se aquilo que se transforma pelas vivências com este outro.

Pode-se dizer que assim como o amor está para o objeto, a paixão está para o ego. Poderá existir o prazer tanto nas paixões quanto nos amores, mas a realização destes prazeres dependerá do quanto o ego se permitirá vivenciar estes desejos. Caso não se permita, é esperado a manifestação de angústias e frustrações.

No fim, acredito que estes atravessamentos é que dá graça a Vida….

Desencontros – sobre o morrer

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Uma ligação e uma notícia, já esperada, mas deixada para digestão no tempo que ocorresse o comunicado da nota. Uma despedida. A morte. Um luto a ser feito….

Alguns choram de imediato, outro sorriem de nervoso, outros parecem nem sentir, estáticos. Já vi quem vivesse a dor em outras circunstâncias futuras ou em uma nova morte. Cada um responde de forma diferente. Alguns fazem de conta que é um novo dia e segue a vida preenchida de atividades, outros ainda, sofrem e quase desistem de sua própria existência.

Quase nunca há um preparo, ainda que diante de uma doença grave, de piora gradual, que não se espera uma recuperação. Faz parte da nossa cultura ocidental. Daí um desencontro, pois não estava previsto. Nosso desejo é que a pessoa esteja lá e de repente não está mais. Talvez um egoísmo por ansiar que simplesmente esteja lá, nos faça companhia, nos receba com abraço, nos acolha, ou até mesmo brigue, contrarie alguma regra estabelecida entre nós. Mas esteja lá. E nos coloca em cheque: existe uma data certa para a partida? E ainda nos expõe a uma partida fugaz. E pela humanidade que há em nós, sofremos mais ainda.

Então, não acreditamos, sentimos raiva, negociamos, nos deprimimos e quem sabe um dia, aceitamos. Essas são as fases do luto, estabelecido por Elisabeth Kubler-Ross – aprecio o olhar feito por ela. Nem sempre passamos por todas as fases, depende do grau de proximidade, dos laços estabelecidos, as dependências e estruturas emocionais de cada um.  Depende dos erros e acertos que se vivencia com aquele que não vive mais. Chora-se por ele e pelo enlutado.

Há algo que se possa fazer, antecipadamente? Não digo se preparar para a morte de alguém, mas se preparar para estar com ela em vida. Aproveitar o pouco ou o muito que se possa. O pouco vira muito. Um abraço bem dado, virará uma lembrança memorável. Reconhecer e fazer o que podes. Se acredita que pode fazer mais, faça, reconhecendo que está dentro das possibilidades. Não é possível curar a dor do outro ou viver a vida do outro, é possível afagá-lo, oferecer um ombro, palavras de conforto e de claridão. Vejo muitas feridas serem mais morosas na cicatrização quando há ofensas, culpas, raivas relacionadas ao que não se vive mais. Então a dor está naquele que se vai ou naquele que fica?

A importância do não julgamento e sim de uma reflexão, pois cada um sente de forma diferente e será exteriorizado de uma maneira distinta. Quem é aquela senhora que viveu por dezenas de anos e criou uma identidade com o seu parceiro? É trabalhoso olhar para essa nova identidade, que pode ou não surgir. Apenas despedir de si mesmo naquele momento? Morre o parceiro, mas também pode morrer uma mulher surgida em um convívio de cinquenta e poucos anos. Qual seria o caminho, deixar ela ir e permitir nascer algo novo ou esforçar-se para que ela fique? A morte também pode representar o nascimento de algo e aí voltamos naquelas etapas que Kubler-Ross estabeleceu.

Cada um tem seu tempo de luto e um caminho para recuperar destes golpes e quiçá, permitir ou não que nasça algo novo…

Minhas homenagens….

Tudo posso, mas nem tudo me convém

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A todo momento somos convidados às transgressões, elas surgem como resposta à oportunidade de atender à desejos, que nos permeiam.  Elas são violações de alguma diretriz estabelecida por alguém ou por algo soberano. Assim, desobedecer às diretrizes, muito embora possa satisfazer, também provoca cerceamento, pelas punições que supostamente haverá posteriormente ao ato ou ainda na possibilidade do ato, estas podendo ser internas ou externas, ou seja, ou será acometido pela autopunição, por não atingir os modelos idealizados ou será repreendido pela sociedade ou pessoas de convívio por fugir do modelo proposto.

O conflito existe quando há um desejo, mas também há necessidade em repreendê-lo e negá-lo, por uma autopreservação, ainda que ilusória, então guarda-se esses segredos nas mais escondidas caixas internas, porém sempre que defronte de um objeto que os atiça, esses monstros se debatem internamente e surgem então sintomas falando que algo não está bem, que existe uma ameaça.

 É fato, para que a vida em sociedade seja possível, são necessárias leis de convivência, mas também é importante reconhecer que cada um de nós, carregamos conosco, atavicamente, estes instintos. Há o instinto de matar (você mata insetos?), de roubar (você já assistiu um filme pela internet sem pagar e sem estar no domínio público?), do ódio, da poligamia, entre outros. Para alguns, estas tendências podem incomodar mais que outros, isso vai depender do ambiente e estruturas emocionais e morais de cada um.

Mas como lidar com estes conflitos? Teme-se a estes desejos como se estes conspirassem contra todas as regras estabelecidas na sociedade que se vive. Se negá-los pode fortalecê-los, mas se assumir e agir correspondendo exatamente à pulsão, há grandes possibilidades de também acarretar em danos que podem ser ainda maiores.

As leis de convivência corroboram com a nossa continuidade e serão necessárias ainda por muito e muito tempo, mas como lidar com nossos instintos, que ali seguem latentes? É preciso avaliar as consequências dos atos, reconhecer que podemos sim assumir determinada conduta, mas temos que pensar onde isso pode levar, quais os pontos positivos e negativos desta escolha. Tudo posso, mas será que tudo me convém?

Às vezes, transgredir a nós (aos nossos desejos) é deixar de transgredir o outro, como diz Nilton Bonder, em Alma Imoral. O mesmo acontece ao inverso. O que fazer? Talvez abrir uma negociação. Negociar internamente, antes de partir para a ação, compreendendo os limites pessoais, pesquisar o que impulsiona para a ação. Negar, é dar voz aos instintos. Em algum momento ele vai fugir pelo ladrão. Aceite-o com a humanidade que tens e pense: Tudo posso, mas nem tudo me convém.

Vencendo as contrariedades…

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Não há quem não tenha se deparado com alguma contrariedade ao longo do dia:  um café derramado na roupa, uma “fechada no trânsito”, uma discussão com alguém do nosso convívio, uma inesperada conta para pagar, ou ainda, cobranças do chefe. Esses são alguns exemplos de tantas situações que passamos e dependendo do nosso estado de espírito, podemos lidar com elas sem maiores sofrimentos, mas se não estamos muito bem, pode nos “tirar do sério” gerando consequências mais preocupantes quando “perdemos a cabeça” e revidamos com raiva ou trancamos esse sentimento dentro de nós mesmos.

Muitas vezes, diante dessas contrariedades, levamos nosso olhar para críticas na conduta do outro, no quanto o outro errou, e não no quanto somos intolerantes, questionamos os valores do outro, julgando que o nosso ponto de vista é o correto, ou ainda, questionamos o porquê coisas ruins acontece apenas conosco, gerando revolta.

Somos seres que necessitam de convívio com demais pessoas, que podemos estar expostos a fenômenos de ordem natural, ou seja, não controlamos nada que está além de nós mesmos. Se temos a dificuldade de administrar nossas próprias emoções, já  imaginou a incapacidade de controlar a conduta do outro?  E por sermos humanos, todos nós somos passíveis de erros, somos imperfeitos.

Seguindo o raciocínio de que não temos o controle nas demais pessoas e sistemas e consequentemente não temos a capacidade de evitar contratempos, temos o poder de escolher a forma como podemos reagir diante desses acontecimentos. Fazendo o uso da razão. Podemos não gostar, não concordar e preferir que não tivesse acontecido, mas transformar a condição em uma oportunidade de aprendizagem. Você não precisa concordar com situações que compreende, são instâncias diferentes.

Isso pode soar como um clichê, mas as contrariedades são os mestres que o universo coloca na nossa vida para aprender, permitindo conhecer mais sobre nós mesmos. Não apenas engolir o desagradável e trancar a raiva ou a mágoa no peito, mas exercitar a compreensão de que a atitude do outro, que não aprovo, já é um modelo do que não quero seguir. Os problemas que surgem ao longo da vida são mestres nos ensinando um pouco de nós mesmos. Ah sim, e muitas vezes são mestres muito poderosos que vem e nos rasga no meio, mas qual é a sua capacidade de olhar diante do problema e aprender com isso e ser transformar, crescer e evoluir? São grandes desafios!

Cada um de nós temos as nossas próprias batalhas, já sabe quem (ou o que) foram os seus mestres de hoje?

Paz e Bem…

Tempos de intolerância e ódio

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A intolerância e o ódio sempre foram expressos na história da humanidade. Por este motivo, infelizmente não nos surpreendemos com as demonstrações destes afetos nos meios de comunicações, mas o que chama a atenção é a capacidade crescente que as redes sociais oferecem aos indivíduos na expressão destes sentimentos. E cada vez mais vemos nas timelines manifestações dessa natureza.

E não há críticas na liberdade de expressão, ela é muito bem-vinda, mesmo por que a repressão sofrida pelo sujeito também é matéria-prima para a análise, mas há um olhar na incapacidade do indivíduo de reconhecer o direito à diferença. Uma vez que a sua compaixão apenas acontece na identificação com o outro, ou seja, quando não há a identificação, não há a aceitação e então há a recriminação, impossibilitando reconhecer no outro a sua humanidade.

É como se eu gostasse do azul e o outro indivíduo do verde, então eu desqualifico o verde apenas por que é verde e não é azul, não havendo espaço para a sensibilidade de reconhecer o outro. E a expressão do ódio vem quando o verde ganha evidência, força e espaço para as suas manifestações e como eu sou partidária do azul, não possuo a capacidade de tolerar o brilhantismo do outro.  Ou seja, não tolero o gozo do outro.  Não tolero o outro conquistar o espaço que eu tanto desejo e ainda, não tolero a minha fragilidade e minha incapacidade.

Logo, quando demonstro meu descontentamento no outro e pelo outro (o ódio), deposito neles o que não aceito em mim:  a fragilidade, a incapacidade de enxergar o outro, a maldade, o fracasso, a falibilidade, ou seja, todas as minhas transgressões. Assim não tolero e odeio.

Aceitar nossas fragilidades e tolerar o gozo do outro exige grande maturidade, certa abnegação e consciência de nossas próprias limitações.  Não é uma tarefa fácil. Mas é possível, ou melhor, esperanço de que é possível. Não existe uma única forma ou um único caminho para desconstruir nossas identificações com as nossas transgressões e nem uma receita rápida para isso, mas é possível iniciar o exercício da compreensão nas pequenas coisas e dar pequenos passos.

Reconhecer a própria liberdade e a liberdade do outro em disputar espaços, ideias, opiniões, e que esse direito de agir segundo o livre-arbítrio está amparado no item “desde que não prejudique outra pessoa”, e isso é válido tanto pelas leis de convivências quanto pelas culpas e censuras internas.  E finalizo com a dúvida: Qual é o preço que você quer pagar por odiar tanto?

Por que eu nunca consigo falar o que quero na análise?

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Normalmente as sessões de análise ocorrem semanalmente. É natural refletirmos sobre os nossos conteúdos (conflitos) durante os intervalos das sessões, ou seja, as interpretações levantadas pelo psicanalista e “insights” vividos durante essa experiência percorre os nossos pensamentos ao longo desse período, é como se fosse um processo de digestão mental. E então, no desejo de dissolver esses êmbolos psíquicos, enumeramos os assuntos que julgamos prioritários para serem levados para a próxima terapia… mas quando chega no dia, parece que “gastamos” a sessão inteira falando de algo que não era bem o que gostaríamos de falar, e pior, isso se repete ao longo de muitas e muitas sessões...isso também acontece com você?

Bem-vindo à resistência, essa é uma manifestação muito recorrente nas terapias. É como se inconscientemente não quiséssemos dar a voz a essa sombra que nos atormenta.  E isso não fazemos por mal, não somos sacanas conosco mesmo, não conscientemente, e mesmo que nos esforçamos para nos colocar em uma franca relação com a verdade, existe uma força que age sem a nossa vontade consciente, uma força que nos move para abafar essas palavras.

Mas fazer terapia é também preparar o campo para enfrentar a resistência e estar frente a frente com a parte de nós que não queremos assumir.  Fazer a terapia é romper esses obstáculos passo a passo e enfrentar esses fantasmas, pois eles em algum momento serão convocados, mas isso acontecerá quando você estiver pronto para lutar.

O papel do analista é oferecer esse suporte para que você enfrente a verdade, respeitando o seu tempo. Então, se você já tem a percepção que existe uma repetição, é um sinal que a sua análise já pode estar se transformando em direção ao confronto, e nesse momento poderá ser percebido que a verdade já poderá ser dita e quando isso acontece, é então possível se reinventar, se transformar diante dos teus desejos! Siga firme!

Medo, medo, medo!

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A palavra medo foi protagonista na minha última semana. Foi sublinhada no consultório, na roda de amigos, por colegas de trabalho e em algum momento eu mesma precisei lidar com ela. Medo, medo, medo.

O medo é necessário, ele chega a ser um termômetro para as nossas ações e reações. É natural senti-lo em situações novas, onde desconhecemos os riscos que estão envolvidos, ou ainda, em situações que são carregadas de experiências negativas vividas no passado. O medo nos deixa mais atentos, e passamos a agir com mais cautela e isso pode ser muito positivo. Ter medo de ser assaltado no centro de São Paulo, à noite e sozinho, é esperado, até mesmo pela quantidade de notícias que escutamos sobre a violência noturna vivida na capital paulista, mas achar que será assaltado a qualquer momento, já pode configurar uma neurose.

O medo não pode liderar a nossa vida e muito menos ser protagonista dela. Cada um de nós devemos ser o protagonista da nossa própria história.

É importante observar e interpretar o porquê sentimos determinados medos, e muitas vezes eles podem aparentar exageros e não demonstrar coerência, mas carregam simbolismos e significados. Por exemplo, por que sentimos medo de barata (aquele serzinho que podemos matar ao pisarmos nela)? E medo de altura? Ou do escuro? Ou de morrer? Ou ainda de amar?

Quantas pessoas tem medo de se envolver afetivamente  depois de viver uma decepção amorosa? Sim, existe um medo real de se machucar novamente, de viver uma nova frustração ou ainda de ser abandonado, se foi o caso. Nessa situação, para entrar em uma nova relação, é preciso curar as feridas e ainda se pacificar com este passado. E para isso, cada um tem um tempo diferente para superar e fazer o luto da relação, que pode ser de  1 mês, 6 meses, 1 ano ou um pouco mais…. Agora, sofrer uma vida inteira e sentir medo uma vida inteira, te parece bom?

A nossa reação frente ao medo diz muito sobre nós: Podemos praticar a evitação ( por exemplo, se você tem medo de voar de avião, você poderá excluir da sua vida a experiência de conhecer novos lugares que necessitem utilizar desse meio de transporte = evitação), podemos querer controlar tudo e a todos (será que é possível controlar a tudo e a todos mesmo ou isso é uma ilusão?), ou ainda podemos responsabilizar os outros pelos nossos problemas. E qualquer desses comportamentos podem ser traduzidos em sofrimento.

Sim, o tema é vasto, há muito que se falar sobre, mas se o medo não está te impedindo de enfrentar os desafios do dia a dia, não se desespere, neste caso, ele está sendo um sistema de alarme e atenção para que você tome os cuidados necessários para manter a sua segurança. Mas, se algo que você teme está fazendo com que você se imobilize e sofra, então é importante buscar ajuda.

Como já disse, este tema é vasto. Você tem medo de algo? Quer que eu aprofunde o texto para um tema mais específico ainda. Escreva para mim, dê sugestões (não tenha medo..)

Paz e Bem

O que um psicanalista faz?

Há muita confusão quando se fala da prática do psicanalista. No texto de hoje, procuro esclarecer algumas dúvidas.

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Gosto de dizer que a atividade do psicanalista é cuidar da alma humana, buscando a melhora dos pacientes  diante de seus conflitos e consequentemente o alívio de seus sofrimentos.

O psicanalista trabalha o que está por trás da queixa do paciente, pesquisando quais seriam as causas inconscientes que levaram o sujeito ao sofrimento. Por exemplo, se uma pessoa possui TOC (que é transtorno obsessivo compulsivo), investigamos e trabalhamos os motivos que geraram estes sintomas, ou seja, o que faria o paciente ser acometido por pensamentos e atos repetitivos? não há uma regra absoluta, a interpretação é feita individualmente e exclusiva.

A psicanálise atua com pacientes depressivos, ansiosos, em sofrimento/desequilíbrio psíquico, esquizofrênicos, compulsivos, impulsivos, com tendências suicidas e também com seres que mesmo não possuindo uma doença da alma, desejam desnudar-se para si mesmo. Trabalhamos com pessoas que vivem se sabotando e não sabem o porquê, que acreditam não serem merecedoras de sucesso ou da felicidade. Ou seja, o psicanalista é aquele que não deixa você desistir de si, é aquele que não sinaliza ou diz o que você tem que fazer, mas é o profissional que está ali, um passinho atrás de você, te provocando, te instigando e não permitindo que você pare.

Nós psicanalistas somos seres incansáveis e insatisfeitos, e estamos sempre em busca da verdade. Já se perguntou porque tomou determinadas decisões em sua vida ou agiu sem saber porquê? É disso que “falo”….

Se me pedissem para definir o que é a psicanálise em uma única palavra, eu escolheria a palavra LIBERDADE, porque este processo terapêutico permite que o indivíduo se transforme e com isso faça escolhas mais honestas e autênticas.

Não é possível precisar o tempo que durará o tratamento terapêutico, isso dependerá da necessidade de cada um.  As sessões normalmente são semanais e tem a duração de 50 minutos. O psicanalista não prescreve medicamentos, quem o faz são os psiquiatras e muitas vezes o tratamento é feito em conjunto: o paciente recebe medicação prescrita pelo médico e frequenta terapias regulares com o terapeuta.

O caminho da terapia geralmente não é gostoso, mas os frutos colhidos por quem se submete a este processo é riquíssimo e repito, libertador. Permita-se!!!!…….

(ps: sempre que procurar um tratamento terapêutico, procure  a indicação de um profissional).

 

Um abraço e até breve,