Tempos de intolerância e ódio

raiva

A intolerância e o ódio sempre foram expressos na história da humanidade. Por este motivo, infelizmente não nos surpreendemos com as demonstrações destes afetos nos meios de comunicações, mas o que chama a atenção é a capacidade crescente que as redes sociais oferecem aos indivíduos na expressão destes sentimentos. E cada vez mais vemos nas timelines manifestações dessa natureza.

E não há críticas na liberdade de expressão, ela é muito bem-vinda, mesmo por que a repressão sofrida pelo sujeito também é matéria-prima para a análise, mas há um olhar na incapacidade do indivíduo de reconhecer o direito à diferença. Uma vez que a sua compaixão apenas acontece na identificação com o outro, ou seja, quando não há a identificação, não há a aceitação e então há a recriminação, impossibilitando reconhecer no outro a sua humanidade.

É como se eu gostasse do azul e o outro indivíduo do verde, então eu desqualifico o verde apenas por que é verde e não é azul, não havendo espaço para a sensibilidade de reconhecer o outro. E a expressão do ódio vem quando o verde ganha evidência, força e espaço para as suas manifestações e como eu sou partidária do azul, não possuo a capacidade de tolerar o brilhantismo do outro.  Ou seja, não tolero o gozo do outro.  Não tolero o outro conquistar o espaço que eu tanto desejo e ainda, não tolero a minha fragilidade e minha incapacidade.

Logo, quando demonstro meu descontentamento no outro e pelo outro (o ódio), deposito neles o que não aceito em mim:  a fragilidade, a incapacidade de enxergar o outro, a maldade, o fracasso, a falibilidade, ou seja, todas as minhas transgressões. Assim não tolero e odeio.

Aceitar nossas fragilidades e tolerar o gozo do outro exige grande maturidade, certa abnegação e consciência de nossas próprias limitações.  Não é uma tarefa fácil. Mas é possível, ou melhor, esperanço de que é possível. Não existe uma única forma ou um único caminho para desconstruir nossas identificações com as nossas transgressões e nem uma receita rápida para isso, mas é possível iniciar o exercício da compreensão nas pequenas coisas e dar pequenos passos.

Reconhecer a própria liberdade e a liberdade do outro em disputar espaços, ideias, opiniões, e que esse direito de agir segundo o livre-arbítrio está amparado no item “desde que não prejudique outra pessoa”, e isso é válido tanto pelas leis de convivências quanto pelas culpas e censuras internas.  E finalizo com a dúvida: Qual é o preço que você quer pagar por odiar tanto?

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