Tudo posso, mas nem tudo me convém

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A todo momento somos convidados às transgressões, elas surgem como resposta à oportunidade de atender à desejos, que nos permeiam.  Elas são violações de alguma diretriz estabelecida por alguém ou por algo soberano. Assim, desobedecer às diretrizes, muito embora possa satisfazer, também provoca cerceamento, pelas punições que supostamente haverá posteriormente ao ato ou ainda na possibilidade do ato, estas podendo ser internas ou externas, ou seja, ou será acometido pela autopunição, por não atingir os modelos idealizados ou será repreendido pela sociedade ou pessoas de convívio por fugir do modelo proposto.

O conflito existe quando há um desejo, mas também há necessidade em repreendê-lo e negá-lo, por uma autopreservação, ainda que ilusória, então guarda-se esses segredos nas mais escondidas caixas internas, porém sempre que defronte de um objeto que os atiça, esses monstros se debatem internamente e surgem então sintomas falando que algo não está bem, que existe uma ameaça.

 É fato, para que a vida em sociedade seja possível, são necessárias leis de convivência, mas também é importante reconhecer que cada um de nós, carregamos conosco, atavicamente, estes instintos. Há o instinto de matar (você mata insetos?), de roubar (você já assistiu um filme pela internet sem pagar e sem estar no domínio público?), do ódio, da poligamia, entre outros. Para alguns, estas tendências podem incomodar mais que outros, isso vai depender do ambiente e estruturas emocionais e morais de cada um.

Mas como lidar com estes conflitos? Teme-se a estes desejos como se estes conspirassem contra todas as regras estabelecidas na sociedade que se vive. Se negá-los pode fortalecê-los, mas se assumir e agir correspondendo exatamente à pulsão, há grandes possibilidades de também acarretar em danos que podem ser ainda maiores.

As leis de convivência corroboram com a nossa continuidade e serão necessárias ainda por muito e muito tempo, mas como lidar com nossos instintos, que ali seguem latentes? É preciso avaliar as consequências dos atos, reconhecer que podemos sim assumir determinada conduta, mas temos que pensar onde isso pode levar, quais os pontos positivos e negativos desta escolha. Tudo posso, mas será que tudo me convém?

Às vezes, transgredir a nós (aos nossos desejos) é deixar de transgredir o outro, como diz Nilton Bonder, em Alma Imoral. O mesmo acontece ao inverso. O que fazer? Talvez abrir uma negociação. Negociar internamente, antes de partir para a ação, compreendendo os limites pessoais, pesquisar o que impulsiona para a ação. Negar, é dar voz aos instintos. Em algum momento ele vai fugir pelo ladrão. Aceite-o com a humanidade que tens e pense: Tudo posso, mas nem tudo me convém.

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